Arranha-céu já é marco da região da Nova Faria Lima
A
região da Faria Lima já não é mais a mesma. No mapa e na real malha ur
bana da cidade, motoristas e pedestres usufruem a Avenida Nova Funchal, resultado de um projeto de ampliação da Rua Funchal, apoiado pela iniciativa privada e que a transformou em 32 metros de largura, além da implantação de fiação subterrânea. Uma forma mais rápida e charmosa de transitar pelo bairro e de passar da Avenida Nova Faria Lima para a Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini.
Entretanto, diante de mudança tão significativa para a otimização do tráfego na capital paulista, moradores e profissionais cativos da região podem comemorar mais uma novidade. Destinado à locação de áreas para empresas de alto padrão, o novo arranha-céu erguido na paisagem promete mudar o dia-a-dia não só de usuários, mas também da vizinhança do local.
Com entrega prevista para maio, o e-Tower São Paulo se resume em um edifício comercial "Classe AAA" de sofisticadas especificações, cuja composição mistura 4 subsolos, 3 sobre-solos, térreo, mezanino, 32 pavimentos de escritórios, restaurante, academia, cobertura, andar técnico, casas de máquinas e heliponto. Ou seja, 52.800 metros quadrados de área construída num espaço de minuciosos diferenciais. Afinal, ele está localizado entre muitos outros atrativos advindos da chamativa região: a excelente infra-estrutura urbana de transportes, a interligação dos dois principais centros de escritórios (Faria Lima e Berrini) e o enorme apoio de serviços do entorno foram alguns dos itens eleitos pela Incorporadora Munir Abbud Empreendimentos Imobiliários na escolha do terreno.
De autoria do escritório Aflalo & Gasperini Associados, o projeto arquitetônico do empreendimento foi responsável por dimensionar um dos mais altos prédios de São Paulo. Com 148 metros de altura, a nova edificação se sobressai em 28 metros quando comparada a qualquer outro edifício da região, garantindo assim total visibilidade em todos os ângulos. "Um edifício esbelto e o mais alto possível foi umas das principais exigências [do cliente]. Sua altura no final só não pôde ser maior por limitação do órgão que controla o tráfego aéreo. Outro desejo do proprietário era que o prédio possuísse três variações de pavimentos-tipo", conta o arquiteto José Luiz Lemos da Silva Neto, envolvido no projeto.
Raio-X predial
Ao contemplá-lo de cima para baixo, conseguimos realmente visualizar as distintas dimensões dadas aos andares de escritórios. Há aqueles com 1.100 metros quadrados e outros menores de 850 metros quadrados, sendo que ambos podem ser segmentados em dois conjuntos, além dos pavimentos de 650 metros quadrados únicos sem possibilidade de divisão.
Já nos dois andares intermediários (19o e 20o), o projetista especificou os espaços para abrigar uma academia de ginástica e um dos restaurantes; o segundo se localiza no 36o pavimento juntamente com um bar. Vale ressaltar que nos dois espaços gastronômicos a idéia de requinte está presente. Tanto no Executivo quanto no Express, o projeto de interior do arquiteto Arthur de Mattos Casas contemplou magnífica vista panorâmica e sofisticados recursos de conectividade sem fio.
Mais abaixo, encontramos os três sobre-solos – mais precisamente as garagens – e uma área específica para motos e recepção de motoboys e encomendas em geral. Além disso, o empreendimento ainda dispõe de vagas exclusivas no subsolo, com acesso especial por escadas rolantes. No total, capacidade para acomodar 785 automóveis. Ou seja, uma relação média de 1 vaga para cada 26 metros quadrados privativos, podendo este número atingir 900 unidades.
Conforto e praticidade podem ser encontrados também no térreo, através da arquitetura e estrutura de serviços a favor do usuário. Vasto e com alto pé-direito (400 m2 de área e 10 metros de altura), o lobby conta com um charmoso Café – um local ideal, segundo os idealizadores, para começar o dia, marcar encontros ou dar uma pausa no meio da tarde. Além disso, um auditório complementa o espaço. Para mais de 100 pessoas e infra-estrutura de comunicações e conexões para voz, dados e imagem, ele permite conferências com transmissão em tempo real com o mundo todo. Aliás, no que diz respeito aos equipamentos de telecomunicações, o e-Tower dispõe de espaços para colocação de antenas de transmissão, bem como shafts de comunicação à cobertura; sem falar no conforto pensado para o condômino, que poderá escolher entre utilizar o serviço de uma operadora ou ter a sua própria infra-estrutura de telecom.
Alta performance na flexibilidade e nos deslocamentos
Devido à grandiosidade do projeto e altura significativa do prédio, houve necessidade de especificar elevadores, escadas rolantes e um heliponto de capacidade condizente com o perfil do condômino que irá utilizar o edifício. Assim, a movimentação vertical entre os mais de 37 andares ficará por conta de 17 elevadores, sendo 6 sociais para zona baixa, 5 sociais para zona alta, 2 sociais ligando os subsolos ao térreo, 1 de segurança atendendo do 4o subsolo ao 36o pavimento, 1 elevador social de acesso do 36o andar ao heliponto e sociais exclusivos que serão responsáveis por fazer o deslocamento do térreo ao 4º pavimento.
Com sistema de distribuição de chamadas denominado DSC (Destination Selection Control), os equipamentos agregam agilidade e economia de energia proporcionados pelo controle de tráfego inteligente dos andares desejados. Já para o tráfego aéreo, os projetistas especificaram um heliponto com dimensões de 21 X 21 metros para atender aeronaves de até 4,25 toneladas – devidamente sinalizado e homologado pelas autoridades locais.
Outro ponto que demonstra a performance da edificação diz respeito à flexibilidade. Como o empreendimento será entregue já com piso elevado, as instalações poderão ser arquitetadas de acordo com as necessidades da empresa ocupante. Aliás, este fator é um dos diferenciais do e-Tower, que recebeu o novo produto. Intitulado de Petrum, este tipo de piso elevado se distingue dos de aço por possuir o dobro de resistência para cargas concentradas e distribuídas, sem falar que pode ser de pedra natural e ter seus pedestais em PVC (antichama e antiferrugem). Segundo o fabricante, a solução pode ser instalada em qualquer revestimento. "As maiores exigências do cliente corporativo estão sempre vinculadas às mudanças de layout. E é nesse pormenor que o Petrum desempenha o melhor papel. Por não ter parafuso, qualquer flexibilização é mais simples", explica Clóvis Torres, diretor da Time do Brasil, fabricante e instaladora do produto.
Aliados a isso, o forro removível e os shafts verticais auxiliam nos fatores rapidez e facilidades na adequação dos espaços e passagem de cabeamento e infra-estrutura para as instalações elétricas, de lógica e telefonia.
Utilidades prediais valorizam e facilitam gerenciamento otimizado
Qualidade do ar
No quesito ar condicionado e ventilação, o edifício recebeu sistema central de água gelada que utiliza fancoils com a tarefa de distribuir o ar nos pavimentos conforme a ocupação e a insolação térmica nas fachadas. Além disso, há chillers elétricos a fim de promover um funcionamento eficiente e econômico do sistema, preparado para atuar em VAV (volume de ar variável). Com a interligação desses dutos ao sistema de automação, é possível controlar, via computador da administradora, as temperaturas em cada um dos escritórios. Já para o resfriamento, projetou-se um sistema de torres, tubulações hidráulicas e bombas de circulação de água de condensação, visando instalações de equipamentos que possam atuar independentemente da central de água gelada.
De responsabilidade da Engetherm, este projeto ainda englobou um eficiente e tecnológico sistema de controle de fumaça, com detectores localizados nos pavimentos e uma rede de dutos de exaustão da fumaça com dampers de bloqueio. No caso de incêndio ou fumaça, os detectores enviam um sinal ao controlador mais próximo, que mandará um sinal para ligar o exaustor e abrir os dampers do pavimento e aqueles do andar inferior e superior a este. Nesta hora, os condicionadores de ar do pavimento com sinistro são desligados automaticamente pelo controlador, que enviará ainda um outro sinal, agora ao sistema de controle predial, soando o alarme e tomando as medidas necessárias de combate ao incêndio ou fumaça. Assim, o sistema promete garantir um controle da exaustão de fumaça, impedindo que ela se espalhe pelos demais andares e garantindo maior segurança às pessoas no caso de uma evacuação de emergência.
Inteligência predial
Instalado no primeiro andar, de onde o edifício poderá ser monitorado e controlado através de micros e monitores, o sistema de inteligência predial está dividido em automação, controle de acesso, CFTV e detecção e combate a incêndio.
No acesso, uma central de última geração, com captação de imagens, localizada no térreo, fica com a tarefa de identificar e cadastrar os visitantes para a entrega do cartão de proximidade que irá permitir a entrada, deslocamento e saída do mesmo do prédio, com a liberação da catraca. Além disso, existem sensores de aberturas de porta para áreas comuns nos pavimentos e infra-estrutura para liberação de acesso por cartões de proximidade nas áreas privativas.
Pensando no completo controle de entradas e saídas direcionáveis e exclusivas, o sistema ainda permite expansões para incorporação de controle de acesso a ser administrado pelas empresas ocupantes do empreendimento, que tem a capacidade de comunicação com a automação, possibilitando integrações automáticas do tipo ligar e desligar iluminações e sistema de ar condicionado por intermédio direto do crachá de acesso.
Quanto ao Circuito Fechado de TV, há monitoração completa de entradas e saídas no edifício, bem como o controle no interior de todos os andares, elevadores, heliponto, garagens e mezanino. No total, são 130 pontos de instalações de câmeras coloridas de alta resolução, com gravação digital das imagens capturadas e visualização local das gravações realizadas.
Vale ressaltar que o controle da automação é executado por BMS e permite sucessivas ampliações, upgrades e interface com o Sistema de Incêndio, geradores, medidores de energia, hidráulica, etc.
Infra-estrutura elétrica
A entrada de energia está inicialmente projetada de duas formas: uma em média tensão (13,2 kV), com tarifa em alta tensão-horosazonal para as partes comuns do edifício, e outra em baixa tensão (380/220V), tarifa tipo B3, para cada andar individualmente. Segundo dados da CB Richard Ellis, empresa responsável pela comercialização do e-Tower, ainda será possível, caso seja de interesse, a transformação em uma única entrada em 13,2 kV, com vantagens de tarifas econômicas de energia.
A energia consumida das unidades de escritórios dos andares poderá ser medida individualmente, através de um sistema de automação, para efeito de rateio por setor ou departamento.
Auto-suficiente em termos de energia, o empreendimento conta com sistema dual de stecimento da concessionária e geração própria através de sistema de geradores, sendo duas unidades de 2.500 kVA para cada grupo, caso haja interrupção ou falta do recurso. O primeiro grupo é abastecido por óleo diesel armazenado para a emergência nas áreas privativas, sendo que o outro é por gás natural diretamente da Comgás. Deverá operar não só em emergência, mas também para economia de tarifa de energia no horário de maior consumo (peak shaving) nas áreas comuns. Entretanto, o prédio ainda traz a vantagem de disponibilizar espaços para a instalação futura de geradores extras para as áreas privativas, se o locador desejar.
Iluminação
Conforme as exigências de minimização de ofuscamento ou de ocorrência de reflexos na área de trabalho, além de fatores econômicos e estéticos, a iluminação prevista e implementada nos escritórios do e-Tower reúne luminárias de alta eficiência. Já para a área periférica, que inclui a fachada da edificação, houve ainda a inclusão de lâmpadas fluorescentes T5, capazes de proporcionar 670 lux de iluminação e operação com vida útil de 16 a 20 mil horas.
Para saber na prática se o projeto teria o resultado almejado, foram utilizadas pelo projetista criativas e tecnológicas soluções. "Executamos recursos sofisticados de simulação virtual, objetivando a visualização prévia, por parte do cliente, de todas as propostas para este trabalho luminotécnico", enfatiza Antonio Carlos Mingrone, diretor da Mingrone Iluminação.
Especificações que, segundo ele, vem se confirmando em todos os aspectos como positivas, devido às manifestações de plena satisfação com o projeto, entre eles: dotar o edifício dos mais modernos recursos tecnológicos para a iluminação; propiciar condições para a obtenção dos mais baixos custos operacionais de manutenção dos futuros sistemas; possibilitar o aproveitamento da luz natural, de forma integrada com os sistemas de iluminação artificial e capazes de reduzir o consumo de energia durante o período diurno; e, principalmente, promover a devida valorização da arquitetura do edifício – tornando-o referência na paisagem urbana local.