Depois de 15 anos com as obras paralisadas, o grandioso Instituto Dr. Arnaldo será inaugurado. A previsão é para meados de 2007, quando atenderá exclusivamente para a saúde da mulher, transplante e oncologia. Resultado do consórcio entre Andrade Gutierrez, Engeform e Construbase, o futuro maior hospital vertical da América Latina tem projeto arquitetônico do Departamento Técnico de Edificações da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo (DTE), e será gerenciado pela própria Secretaria da Saúde em interface com o Hospital das Clínicas.
Com localização privilegiada no ponto alto do bairro de Sumaré, em São Paulo, a edificação oferece vista aberta para o restante da cidade em seus 360 graus. Em infra-estrutura: também chama a atenção pelas instalações modernas e pensadas de forma a respeitar o meio ambiente, valorizar o futuro paciente e facilitar a manutenção. Só em área construída são cerca de 82 mil metros quadrados, em terreno de 7.209 metros quadrados.
“As obras começaram em 1988, sendo paralisadas quatro anos mais tarde. Retomamos o contrato por volta de 2002, quando iniciamos a inclusão de novas tecnologias, equipamentos, limpeza da estrutura...”, explica a arquiteta Maria Cristina de Oliveira Gomes Jötten, diretora Técnica do DTE, e uma das responsáveis pelo gerenciamento dos Projetos e Obra.
Mas porque o prédio foi alvo de especulações enquanto ficou parado? Segundo ela, por ter um formato piramidal. “Entre a primeira laje do térreo até a última no 24º andar, existe uma defasagem de 2,60 metros, mostrando o desenho afunilado – o que levou algumas pessoas a achar que o edifício estava torto”, explica.
Atualização tecnológica
Um dos pontos que facilitou a adequação do projeto original a este atual, com tecnologias recentes, diz respeito aos grandes vãos sem pilares intermediários (por conta da laje nervurada). De acordo com a arquiteta, pode-se dizer que a estrutura foi muito bem-concebida, tanto que as circulações verticais foram preservadas.
Duas torres compõem o corpo do prédio, com pavimentos que podem ser divididos em dois conjuntos simétricos. São 28 andares no total, incluindo quatro subsolos e o térreo, onde está localizado o lobby central para a entrada dos pacientes e visitantes. No destaque da parede principal, vê-se o painel de características bem próprias de seu criador, o artista plástico Romero Britto. O quadro doado por este pintor e escultor brasileiro tem nada menos do que 12 metros de comprimento por três de altura – um colorido intenso que já alegra quem adentra o ambiente.
 
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Materiais foram escolhidos com base em beleza, durabilidade e fácil assepsia, como nos quartos de internação e no hall dos elevadores
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Ambulâncias têm acesso exclusivo pelo 3º subsolo (pela Rua Dr. Enéas de Carvalho de Aguiar) e pelo 2º subsolo (na frente do edifício, pela rampa). Não há estacionamento voltado para médicos e funcionários nem para visitantes, que terão que utilizar as garagens de empresas particulares que já gerenciam vagas para os demais hospitais da região.
Em se tratando de sistemas e projetos, o Instituto Dr. Arnaldo agrega, nos detalhes, itens inovadores que perfazem a inteligência predial, a começar pela central de automação, que controlará climatização, acesso, quadros elétricos, central de alarme de incêndio, os 19 elevadores, sistemas de telemetria, consumo elétrico e hidráulico por andar, etc.
Para otimizar a operação, do outro lado, encontramos os próprios projetos, de última geração. Um deles, o de ar condicionado, foi pensado paras as áreas de hotelaria e conforto, e consiste em irradiação pelo forro (forro gelado), em que a sensação térmica distribui-se homogeneamente pelo ambiente. Já as áreas hospitalares e classificadas como laboratoriais e de farmácia funcionam através de central de água gelada e fancoils. (Veja no quadro em destaque, outros cuidados em termos de instalações para a qualidade do atendimento no Instituto Dr. Arnaldo).
Raio-X predial
Levando em conta a verticalidade e a extensa área geográfica do hospital, alguns pontos foram muito bem pensados. Um exemplo: a disposição dos departamentos pelos 28 andares. Um estudo pormenorizado do fluxo de pessoas determinou a seguinte ocupação: no térreo, estão as clínicas. Além disso, são três centros cirúrgicos, do 12º ao 14º andar; no 6º pavimento, ficou a área administrativa, enquanto que nos sete andares (do 16º ao 22º) estão localizados os apartamentos para internação. O 4º subsolo é reservado para exames. E ainda há áreas críticas, que receberam cuidados especiais em termos de acesso. Alguns quartos, por exemplo, são isolados por uma antecâmera – tudo para oferecer mais proteção ao paciente.
 
| Maria Cristina Jötten e Cecília Watanabe Yoshikawa, arquitetas do Departamento Técnico de Edificações da Secretaria da Saúde |
Mas não é só o tamanho do prédio que chama a atenção de quem transita pela Avenida Dr. Arnaldo ou de quem sobe, vindo das imediações do Estádio do Pacaembu. Dentro do hospital, são os números que dão a dimensão do público a ser atendido e da qualidade do serviço de saúde. São nada menos do que 190 consultórios; 726 camas hospitalares; 44 salas de cirurgia; três auditórios com capacidade total para 282 lugares; controle de acesso com 270 leitoras; sistema de dados e voz com 4.400 pontos; iluminação interna e externa abastecidas por 20 mil luminárias, e por aí afora.
Já no topo do edifício, abaixo da área de heliponto, está previsto um restaurante com capacidade para cerca de 100 pessoas. Com acesso exclusivo pelas escadas, o local terá administração terceirizada e irá oferecer, além de refeições e lanches rápidos, vista deslumbrante da cidade de São Paulo. Para aumentar ainda mais o conforto para os usuários dentro do espaço, assim como em todos os demais ambientes do hospital, a opção foi especificar uma fachada especial. Em sistema Unitizado, os caixilhos permitiram ainda rápida montagem pela parte interna da edificação; seus vidros oferecem melhor eficiência, reduzindo o consumo de energia elétrica do ar condicionado.
Segundo a empresa Glassec, que forneceu os 9,7 mil metros quadrados do material, o vidro e as especificações técnicas da fachada previam alta transmissão luminosa e baixa reflexão interna para garantir qualidade térmica e de conforto ao ambiente interno. Para completar, instalou-se persianas entrevidros insulados, da empresa EuroCentro. Na cor branca, são 1.377 peças, com acionamento magnético lateral por cabo e botão giratório, oferecendo vantagens como mais privacidade e controle total da luminosidade.
Facilidades para manutenção Os cuidados para facilitar a manutenção começaram na ação de adotar shafts visitáveis em todos os pavimentos, e a distribuição das redes elétricas e hidráulicas, em anéis. O resultado, segundo a arquiteta Maria Cristina de Oliveira Gomes Jötten, é conseguir redundância de fornecimento, favorecendo qualquer intervenção ou manutenção futura, sem desativação dos leitos.
Em materiais, a mesma atenção. “Nos pavimentos destinados às cirurgias e UTIs, as paredes internas foram revestidas em laminado melamínico para facilitar a assepsia. Outra vantagem do produto é a sua durabilidade – muito superior à pintura”, conta a profissional, que há 20 anos trabalha para a Secretaria de Estado da Saúde.
Nas áreas hospitalares, ela explica que os pisos serão monolíticos, em manta vinílica, enquanto que nos halls e circulações com grande trânsito de pessoas foi utilizado o porcelanato. Forros removíveis, em gesso acartonado com revestimento em película de PVC, foram aplicados em todas as circulações – tudo para facilitar a manutenção dos inúmeros sistemas instalados em cada andar. Por fim, para humanizar os espaços internos, buscou-se um projeto luminotécnico especial em conjunto aos tons claros (mas não totalmente brancos) escolhidos para as paredes – cores sem muito impacto visual, mas agradáveis à permanência do paciente.
Ou seja, diante de pontos tão relevantes como estes, o maior deles é: a tecnologia estrutural, de sistemas e de serviços a ser oferecida será 100% para atendimento público, mostrando que qualidade em todos os níveis é para todos. Neste caso, para todas as mulheres que se utilizam do sistema público de saúde.
Detalhes das instalações
• Segurança: CFTV com câmeras digitais em locais estratégicos, inclusive nos elevadores. Os sinais serão enviados a uma central de controle, com visualização por nove monitores coloridos de 21 polegadas, inclusive com visualização em tempo real (graças a um sistema matricial) e também via Internet. Em termos de controle de acesso, este é formado por leitora de cartão do tipo proximidade ou teclado, dependendo do nível de segurança exigido. Sensores de porta e fechaduras elétricas interligadas à central permitirão a averiguação (pelo pessoal de segurança) do status da porta. Cancelas e catracas foram previstas para melhorar o fluxo. Já em alarme e detecção de incêndio, o sistema está previsto para atender toda a edificação, com a finalidade de detectar e avisar qualquer ocorrência. Sua instalação é do tipo classe A, ou seja: os dispositivos são interligados com a central em duplicidade e caminhos distintos, o que promete aumentar a confiabilidade;
• Elétrica: Rede de alimentação em média tensão. Previsto também geração de emergência composta de três geradores para uso contínuo, etc.;
• Telecomunicações: Voz, dados e imagem com capacidade para 2.000 ramais e 2.500 pontos de transmissão. Previsto instalação de um sistema de PABX de última geração para ramais com numeração de até seis dígitos, conexões externas por fibra óptica e backbone preparado para atingir transmissão de até 10 Gigabytes. Também inclui um sistema de imagens médicas conhecido como PACs (Picture Archiving Communications Systems), com 100 estações de rede específicas interligadas à rede de dados, voz e imagem nos pavimentos dos ambulatórios, internações, UTIs, centros cirúrgicos e centro de imagens. Para a chamada de enfermeira: sistema modular com tecnologia que permite integração entre pages, estações de rádio-base de celulares, sem interferências com os equipamentos médicos. Haverá ainda flexibilidade auditiva e display alfanumérico para indicar o quarto que está chamando, agrupando somente os profissionais que atendem ao respectivo paciente;
• Circuito Fechado de Transmissão Médica: Sistema de comunicação independente para transmissão de eventos médicos. Objetivo: dar suporte ao ensino, conferências e estudos que venham a acontecer no hospital;
• Hidráulica: Projeto desenvolvido para atender 100% o PURA – Programa de Uso Racional de Água. Água fria: distribuição em anel nos andares, a fim de facilitar nos fechamentos parciais e na manutenção. Utilização ainda de equipamentos, metais, acessórios e sistemas economizadores. Água quente: Através de central de geração de água quente instantânea. Agregado às geradoras, serão utilizados trocadores de calor de placas e tanques de acumulação;
• Sonorização: Emissão de chamadas e difusão de música ambiente dentro de todas as áreas com presença de público e funcionários do hospital;
• Gestão Integrada da Obra: O modelo tem uma proposta de gerenciamento unificado, que reúne áreas de qualidade, meio ambiente, saúde e segurança do trabalho.
Detalhe
Nome do Empreendimento: Instituto Dr. Arnaldo
Endereço: Avenida Dr. Arnaldo, 251 – Sumaré – São Paulo/SP
Arquitetura: DTE – Departamento Técnico de Edificações da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo
Acessibilidade Universal: Macuco e Otero Arquitetura
Construtora: Consórcio Andrade Gutierrez / Engeform / Construbase
Gerenciamento da Obra: Consórcio Andrade Gutierrez / Engeform / Construbase
Tipo de Utilização: Hospital de Atendimento à Saúde da Mulher, Transplante e Oncologia |
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