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CAPA
Panorama
Gestão Sustentável. Práticas que podem acelerar a atividade de Facilities quando o assunto é respeito ao meio ambiente - e que ainda reduzem custos...
O Facility e a Sustentabilidade

[Desenvolvimento sustentável] é o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”
Relatório Brundtland, da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, 1987

A visão tacanha – de que a tarefa do profissional de Gestão de Facilidades é tão somente manter a infra-estrutura das edificações funcionando – precisa acabar. Quando se fala em reduzir desperdícios e aumentar a performance das propriedades nada mais é do que tratar a sustentabilidade como um escopo dentro das atividades de Facilities.

É preciso um novo olhar sobre o assunto, e nesta empreitada o gestor tem grande papel e ótimas oportunidades. Seja no projeto e construção da edificação até a administração da propriedade em si, várias são as ações sustentáveis que podem ser implementadas. Não é só a preservação do meio ambiente (que engloba investir na educação ambiental e na proteção), mas proporcionar aos diversos públicos mais conforto e produtividade.

Por isso é tão necessário integrar os usuários e parceiros no planejamento – afinal, eles vivenciam, interferem e participam da rotina dos edifícios, condomínios e espaços corporativos.

Para ajudar o leitor a identificar essas práticas sustentáveis, a INFRA listou algumas ações, com base nas fontes e empresas que sempre auxiliam a revista na divulgação de informações, e através de eventos ligados ao segmento. Acompanhe a seguir como você, líder e estrategista, pode fazer a diferença na sua atividade.

Algumas dicas de como implantar a sustentabilidade e por que:

• Segundo o Instituto Akatu, o Consumo Consciente diz respeito a: por que, como, o que e de quem comprar, além de como utilizar e como descartar;

• A mudança está ao seu alcance; a decisão de comprar produtos e serviços está nas suas mãos praticamente todos os dias;

• Adote um enfoque estratégico na sua gestão, do operacional para o planejamento. Isso significa se perguntar: Qual a tendência de evolução dos custos de manutenção do edifício nos próximos 10 anos? Como tornar a operação e a manutenção ambientalmente mais responsáveis?;

• Conscientize o público interno e o parceiro: informe quanto à importância de não deixar lâmpadas acesas desnecessariamente, ou de fechar a torneira ao escovar os dentes. Nesta empreitada, busque o apoio da área de comunicação institucional. Ela contribui como ferramenta para a construção, disseminação e reforço da identidade corporativa perante os públicos, que “percebem” a imagem da organização e se relacionam com ela. A informação deve ser excitante e envolvente para conquistar a comunidade;

• Preste atenção nas vantagens da edificação ser certificada por uma ISO qualidade, selos ou ainda de possuir indicadores de performance eficientes;

• Não adquira ou utilize materiais de origem ilegal;

• Lembre-se de que os custos podem ser reduzidos na área de fluxo (logística), uma vez que não é preciso a passagem de pessoas que não vão utilizar ou acessar determinada área da propriedade. Isso é menos manutenção;

• Dê o devido valor à Tecnologia da Informação. Um sistema de gestão totalmente integrado possibilita otimização dos processos operacionais, aumento da produtividade, controle absoluto sobre os custos e redução do desperdício;

• Invista em um espaço predial e corporativo cujo desenho é universal, ou seja: com ambientes e lugares para todos. O objetivo é permitir que qualquer colaborador possa chegar e desenvolver suas atividades profissionais com o máximo de autonomia;

• Não se esqueça de que o percentual de interferência no custo total de um edifício comercial, em 50 anos (vida útil de um projeto), está assim distribuído: 100% na idealização, 80% na fase de projeto, 15% durante a construção e 5% no uso e operação;

• Quanto aos benefícios dos Green Buildings (prédios verdes), saiba que a economia nos custos operacionais ultrapassam os 20%, podendo chegar a 50%: economia de água (de 40 a 60%), redução de pessoal de condomínio (de 30 a 50%), além de retrofit total no futuro com perda de valor inferior a 30% de um edifício novo;

• Em segurança, a capacitação tem que ser permanente e incluir pesquisa: usar a inteligência como arma para prevenir possíveis ocorrências. Prever as crises e tratá-las. Neste escopo, elas podem ser crises naturais, tecnológicas, sociais, de malevolência, legais, de negócios, imagens, produtos, pessoas. Lembre-se de que o quase-risco é um sinal de alerta para o risco. É preciso analisar todas as condições do ambiente;

• Aposte nas tecnologias, como nos equipamentos modernos de transporte vertical. Os elevadores de última geração podem proporcionar economia de energia e redução de até 30% no tempo de viagem se comparado aos obsoletos/tradicionais;

• Apóie o transporte solidário das empresas instaladas no condomínio. Segundo o gerente de Projetos Especiais do Instituto Akatu, Aron Belinky, essa iniciativa por parte dos gestores pode representar 100 vezes mais energia que deixamos de colocar no sistema global;

• Olhe para as questões ambientais também do ponto de vista financeiro. Somente no próximo ano, US$ 1 bilhão vai custar para o Brasil em questões envolvidas em “contém e não contém” (conceitos e processos sustentáveis);

• Tenha uma política clara na contratação de terceiros. Busque fornecedores que valorizem a sustentabilidade em seus processos: qual a estrutura de responsabilidade, como ele audita questões ambientais e de segurança. Da mesma forma, não se esqueça de apoiar o desenvolvimento e a qualificação desses parceiros, e de buscar suas próprias licenças obrigatórias na gestão da edificação;

• Na operação, consulte manuais, se valha das auditorias, promova avaliações que considerem o impacto ambiental – humanização dos processos, geração de lixo e poluição (água e ar), consumo eficiente de energia e água;

• Mesmo que o custo financeiro seja um pouco maior, sempre que possível, priorize papéis recicláveis e incentive a redução de impressões de documentos. Além disso, a prática de separação do papel branco do marrom gera lucro, uma vez que podem ser revendidos;

• Promova a reciclagem de lixo. Produtos alimentícios, materiais de embalagem e bens em geral consomem combustíveis fósseis e energia elétrica em seus ciclos de vida (fabricação, transporte, etc.), e estes estão sempre associados a emissões de gases de efeito estufa. A reciclagem deve ser vista como uma forte aliada para minimizar a influência nas mudanças climáticas, uma vez que permite a redução do uso de recursos naturais e evita as emissões associadas à fabricação das matérias-primas;

• Quer um exemplo concreto? Veja o comparativo da produção de uma tonelada de latas de alumínio a partir de latas recicladas e de alumínio primário: considerando todo o ciclo de vida da lata, foi constatado que a reciclagem reduziu em aproximadamente 65% as emissões de metano e em torno de 80% as de dióxido de carbono;

• Institua um programa de reciclagem de pilhas e baterias. Esses produtos podem ser depositados em coletores espalhados pela edificação para depois serem reciclados por empresa especializada, minimizando os riscos frente ao crescimento do consumo de pilhas e bateria (nos últimos cinco anos, mais de 5 bilhões foram descartadas no Brasil; menos de 1 milhão foi recolhido para adequada reciclagem). A título de informação: o descarte inadequado de pilhas e baterias pode representar um grave risco ao meio ambiente e à saúde pública. Mercúrio, chumbo, níquel e cádmio são algumas das substâncias presentes nesses produtos, podendo contaminar água, alimentos, animais e pessoas, causando problemas de saúde, como danos para os rins, fígado e pulmões;

• Invista na iluminação, trocando lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes compactas. Além de mais eficientes, estas consomem até 75% menos energia, durando pelo menos seis vezes mais;

• Segundo pesquisa realizada pela Philips, 28% dos escritórios no Brasil ainda têm sistema de iluminação obsoleta e ineficiente. Existe potencial de mais de R$ 90 milhões em economia, por ano, através da melhoria desses sistemas;

• No caso dos lustres e luminárias, as melhores do ponto de vista social, ambiental e econômico são aquelas que possuem cúpulas mais claras, que deixam passar mais luz, e que por isso exigem lâmpadas com menos potência – menos gasto de energia com a mesma qualidade de iluminação;

• Fique atento aos avanços tecnológicos dos LEDs (diodo emissor de luz). Pequenos pontos de luz de alta capacidade, eles têm vantagens relevantes: alta resistência a impactos e vibrações; pequenas dimensões; alta eficiência de cor; vida longa (quase 100 mil horas ou 90 anos ligados); estabilidade em diferentes temperaturas, excelente estabilidade térmica, não emitem radiação infravermelho e ultravioleta, baixo consumo de energia, são considerados lixo comum, (não precisando de tratamento especial), sua luz não desbota roupas e obras de arte, entre outros benefícios;

• Sistemas de controle de estações de trabalho associados a sensores de presença minimizam consideravelmente os gastos com energia elétrica;

• Ao comprar móveis, sempre que possível, prefira madeiras oriundas de reflorestamento, como o pinus ou o eucalipto, cujo selo indique que a madeira provém de manejo sustentável de florestas;

• Em se tratando de limpeza e conservação, prefira equipamentos modernos que gastam menos água e menos eletricidade. Saiba também que se a operação for realizada de dia, é possível reduzir até 8% de energia e necessitar de menos giro de pessoal (mão-de-obra);

• Ainda com relação à limpeza, utilize produtos que não agridam o meio ambiente; alternativas menos tóxicas ou não-tóxicas (isso vale também para as tintas) reduzem custos de gerenciamento de produtos perigosos, incluindo licenciamento, custos de manuseio e treinamento especializado de pessoal;

• Aproveite ainda a água de pias, lavatórios e das chuvas para a irrigação de jardins e outros fins possíveis;

• Nos sanitários, se possível, troque descargas convencionais pelas mais modernas, com dois dispositivos – um para resíduos sólidos (com mais litros de água) e outro para líquidos. Quanto às torneiras, prefira aquelas com sensores ou de pressão;

• Selar a tubulação também é uma ótima providência para evitar vazamentos, assim como instalar sensores de presença nas escadas diminui gastos com energia; entre outras iniciativas.

Algumas dessas ações são bastante simples. Outras requerem visão de investimento para um mundo mais sustentável a partir das edificações. Cabe a você analisá-las para então inseri-las no rol de atividades na Gestão de Facilidades. É o papel relevante do Gestor. Como o próprio conceito divulga, “a Ecoefetividade leva a indústria humana a ser regenerativa ao invés de consumista. Envolve o design de coisas que celebram a interdependência com outros sistemas vivos. Dá uma perspectiva do design industrial, significa produtos que funcionam dentro do ciclo de vida berço a berço ao invés de berço ao túmulo”. Sair da inércia e dar o primeiro passo já é promover grandes mudanças!

Fontes: IV Congresso Brasileiro de Eficiência Energética e Cogeração de Energia – Apresentações: Philips e Johnson Controls / RL Sistemas de Higiene / tecnologias em LED e Luminárias da OSRAM / Programa Banco Real ABN Amro de Reciclagem de Pilhas e Baterias / Cempre Informa (Compromisso Empresarial para Reciclagem) / Palestras do IV Congresso INFRA

Minimizando a necessidade da aquisição

Evitar a necessidade do produto: usar correio eletrônico em vez de memorandos ou ofícios tradicionais de papel, por exemplo, pode eliminar o uso das grandes quantidades de papel, ao mesmo tempo em que se economiza na compra, arquivamento, armazenamento e custos de disposição;

Reduzir os materiais exigidos para uma tarefa: por exemplo, o empacotamento para o transporte do produto, diminuindo a necessidade de reciclagem ou disposição final dos materiais quando não são mais necessários;

Comprar produtos e equipamentos duráveis, reparáveis e que possam ser aperfeiçoados: tais produtos necessitam ser substituídos com menor freqüência e reduzem tanto o desperdício quanto a quantidade de energia e de materiais para manufaturar novos produtos, ao mesmo tempo que diminuem os custos de compra;

Melhorar o armazenamento, inventários e a gerência de estoque: isso pode ajudar a reduzir os custos de perdas por se tornarem obsoletos e a minimizar custos administrativos, de transporte e de distribuição;

Comprar produtos a granel e em forma concentrada (sempre que possível): comprar em grande quantidade minimiza o desperdício com transporte e empacotamento com a entrega, e adia a necessidade de se comprar produtos novos;

Utilizar sistemas de produtos/serviços: significa usar, de preferência, um serviço no lugar de um objeto físico: ao invés de comprar materiais de limpeza, contratar um serviço de pessoal de limpeza; alugar mobiliário de escritório, ao invés de adquiri-lo;

Treinar os funcionários para o uso mais eficiente do equipamento: de acordo com as características de eficiência energética, reduzindo custos de eletricidade;

Garantir que seja feito o uso máximo dos produtos no fim de sua vida útil: mais e mais alternativas para evitar o descarte dos produtos estão se tornando disponíveis, desde os fabricantes têxteis (que oferecem programas de reciclagem para tapetes usados) aos que limpam e revendem computadores obsoletos – todos fazem reutilização das partes em outras máquinas ou reciclagem dos componentes.

Guia de compras públicas sustentáveis – Uso do poder de compra do governo para a promoção do desenvolvimento sustentável

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